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domingo, 27 de maio de 2012

Conhecendo os Bens Tombados de Matias Barbosa/MG


Ano do Tombamento – 2008

Tombamento Municipal – Decreto nº 1.420 de 25 de março de 2008.

Edificação

Ponte da Liberdade conhecida popularmente como “Ponte do Arco”.

Localização
Rua Ponte do Arco, s/n.

Bairro
Bairro Ponte do Arco

Custo da Construção
Indeterminado.

Período de Construção
Segunda metade do século XIX.

Técnico Responsável pela Construção
Indeterminado.

Histórico da Edificação
Em 01 de outubro de 1875 a Estação Ferroviária da Central do Brasil foi inaugurada em Matias Barbosa. Segundo Eloy de Andrade, a Ponte do Arco (também conhecida como Ponte da Liberdade, por estar situada em terras da Antiga Fazenda da Liberdade), a Ponte de Santa Rosa, os túneis do Passa-três e as Muralhas de Contenção nas margens do Rio Paraibuna, todas edificadas para a instalação da Ferrovia Central do Brasil em Matias Barbosa, foram construídos pelo engenheiro Dr. Augusto Andrade de Souza.



Descrição da Edificação
A Ponte da Liberdade, ou Ponte do Arco, foi construída em 1875, conforme os recursos disponíveis na época, destinada ao uso da então Estrada de Ferro Central do Brasil. A ponte é sustentada por um arco de estrutura de pedras aparentes emparelhadas. Os blocos de pedra de arremate e dos cunhais são em bossagem, importados da Inglaterra, e possuem dimensão externa de 38x50cm. O arco de sustentação da ponte totaliza um vão livre total de cerca de 10m. A ponte possui largura total de 4,70m por 10m de altura, da estrada até o arco, e mais 2m até o leito da ferrovia, que possui uma mureta de proteção de concreto com 50cm de altura. Reforçando a estrutura, um muro de pedras, em formato trapezoidal, estende-se da ponte até cerca de 14m nas quatro extremidades. O leito da ferrovia conta com cerca de 4m de largura e é revestido de pedras soltas.

Técnicas Construtivas Predominantes
Seu sistema construtivo é sustentado por um arco de estrutura de pedras emparelhadas aparentes. Os blocos de pedra de arremate e dos cunhais são em bossagem, importados da Inglaterra, e possuem dimensão externa de 38x50cm.


Empresa Responsável
Indeterminada.









Folia de Reis Cantinho do Céu, Bem Imaterial Municipal se apresentou no 4º Salão Mineiro de Turismo

A Folia de Reis Cantinho do Céu apresentou no dia 19/05/2012 no 4º Salão Mineiro de Turismo com grande sucesso. Através de uma seleção entre várias manifestações culturas a Folia de Reis Cantinho do Céu que tem o registro de Bem Imaterial de Matias Barbosa foi selecionada e participou na programação do cortejo, percorrendo todos os espaços do Minascentro, na capital.


        Liderado pelo mestre folião o senhor Sergio Alves que conduziu a bandeira aonde diversos turistas e expositores saudaram e tiraram diversas fotos com o grupo.


        Mais uma vez Matias Barbosa demonstrou que aqui se valoriza a cultura de raiz que as vezes é esquecida em tempos de internet e outras tecnologias, sendo assim, buscamos um trabalho de conservação e manutenção das manifestações culturais de raizes.




Dia 27 de maio – Dia da Imigração italiana em

Matias Barbosa/MG

Hoje completa 124 anos da chegada das primeiras famílias italianas em Matias Barbosa/MG.

         No dia 27 de maio de 1888, exatamente domingo, desembarcavam na Estação Ferroviária de Matias Barbosa as primeiras famílias de imigrantes italianos em Matias Barbosa, e posteriormente foram levados para fazenda de café, principalmente do Dr. Eugênio Teixeira Leite proprietário da Fazenda Morro Alto. A Colônia de italianos localizava-se no Jardim do Mina, se consolidou no inicio do século XX, onde  desempenharam trabalhos agrícolas em pequenas lavouras. As várias famílias de italianos mantiveram por um bom tempo suas tradições e costumes. A Colônia de Matias Barbosa, por exemplo, realizava anualmente a Festa Italiana recebendo outras Colônias da região. O distrito de Matias Barbosa teve considerável aumento populacional, devido à imigração, se destacando entre os distritos do município de Juiz de Fora.

Parabéns e muitas felicidades a todos aqueles que fizeram e fazem parte desta rica história.

As primeiras famílias italianas que se fixaram no distrito de Matias Barbosa foram Dalcol, De Martin, Francisquete, Pigozzo, Pessera, Martinelli, Demarque, Dalecrode, Ciciliani, Pradella, Casa Grande, Daltoe, Pilatti, Dalpare, Dolabela, Picino, Bortholo, Beloto, Tatuça, Selece, Samavila, Pancotti, Fuino, Beloti, Ceciliano, Pascoalim e Portoni. Depois vieram as famílias: Picinini, Chapinotti, Malatesta, Cipriani, Montinoti, Cesca, Carnevalli, Fedoce, Picoli, Vitoreto, Piazzi, Penaqui, Doro, Albertino, entre outros.



Foto acima: Casa Ítalo-Brasileira em Matias Barbosa/MG local de encontro dos italianos e descendentes na primeira metade do século XX.

Fonte: Arquivo Histórico de Matias Barbosa/PMMB



Exposição Literária Itinerante Emílio Moura


já pode ser visitada na Biblioteca Municipal


em Matias Barbosa/MG


Neste mês de maio a Biblioteca Municipal Dona Glorita apresenta a Exposição Literária Itinerante Poesia, teu nome particular é Emilio - Emilio Moura, além do empréstimo da biblioteca Estadual de um livro raro de poesias de Emílio Moura.

         Vamos conhecer um pouco mais da história do poeta Emílio Moura, nasceu em 14 de agosto de 1902 em Dores do Indaiá e faleceu em 28 de setembro de 1971 em Belo Horizonte foi um poeta modernista, integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universitário, e um dos fundadores da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais, em 1945, onde lecionou e da qual foi o primeiro diretor.


Aqui termina o caminho



Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave pensamento de exílio.

Por que ainda esperas? Aqui termina o caminho,
aqui morre a voz, e não há mais eco nem nada.

Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto nos perturbaram
e que inutilmente nos conduziram
para nos deixar, de súbito, na primeira esquina?
Essa voz que vem, não sei de onde,
esses olhos que olham, não sei o quê,
esses braços que se estendem, não sei para onde...

Debalde esperarás que o oco de teus passos acorde os espaços que já não têm voz.
As almas já desertaram daqui.
E nenhum milagre te espera,
nenhum.



 Vale a pena conferir na biblioteca Municipal Dona Glorita, entrada franca.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Conhecendo os Bens Tombados de Matias Barbosa/MG










PAÇO MUNICIPAL

Ano do Tombamento - 2006

Tombamento Municipal – Decreto nº 1.277 de 17 de março de 2006.

Edificação

Prefeitura Municipal de Matias Barbosa.

Localização

Avenida Cardoso Saraiva, 305.

 Bairro

Centro.

 Número de Pavimentos

Dois.

Custo da Construção

Indeterminado.

 Período de Construção

1928 e 1929.

 Técnico Responsável pela Construção

Indeterminado.

 Histórico da Edificação

A edificação em estilo neoclássico, localizada à Avenida Cardoso Saraiva, nº 305, foi construída especialmente para abrigar a sede do recém emancipado município. O Projeto do imóvel que foi construído era de autoria do Presidente da Câmara e Agente do Executivo, que inaugurou o imóvel em 25 de junho de 1929, na presença do Governador do Estado Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e sob as bênçãos de Dom Justino de Santana, bispo da Diocese de Juiz de Fora. Os trabalhos artísticos internos do prédio, como forro em madeira com gregas laterais foram executadas pela Construtora Pantaleoni Arcuri & Spinelli, de Juiz de Fora.

Descrição da Edificação

O imponente edifício foi construído em 1929 para abrigar a sede da Prefeitura Municipal, nos moldes neoclássicos típico das edificações oficiais do final do século XIX e início do XX. Sua fachada principal, sobrecarregada de elementos decorativos, possui simetria e equilíbrio, além de um sistema preciso de relações e proporções que lhe confere harmonia, sobriedade e ordem, aspectos igualmente relacionados ao poder público.



Técnicas Construtivas Predominantes

Seu sistema construtivo é uma estrutura auto-portante com robustos pilares e paredes de tijolos maciços, sua cobertura de quatro águas, com estrutura de madeira e telhas francesas, fica escondida nas fachadas por platibandas e balaustradas de massa na fachada principal, o que reafirma seu estilo neoclássico. As paredes são revestidas interna e externamente com reboco e pintadas com tinta látex, e a base alteada na fachada principal é revestida com pedras. As janelas e portas internas são pintadas com tinta a óleo e a porta principal é revestida somente com verniz.



Empresa Responsável

Construtora Pantaleone Arcuri.
 
Livreto on line Gratuito

O setor da Educação Patrimonial, Departamento de Cultura e a Chefia da Tecnologia da Informação da Prefeitura Municipal de Matias Barbosa lançaram on line o livreto do Primeiro Guia dos bens tombados do Municipio de Matias Barbosa pelo site www.matiasbarbosa.mg.gov.br onde todos poderão fazer o download.
Prefácio
Inicio este Prefácio através de uma breve explicação do que vem a ser Patrimônio Cultural. Ao longo da história muito se discutiu sobre o que seria patrimônio, o que contribuiu para muitas mudanças em seu conceito. A preocupação com o Patrimônio remonta do final do século XVIII, com a Revolução Francesa criou-se uma sensibilização para os monumentos que representavam feitos do passado “a partir de então as primeiras ações políticas para a conservação dos bens que denotassem o poder, a grandeza da nação que os portava, entre as quais uma administração encarregada de elaborar os instrumentos jurídicos e técnicos para a salvaguarda, assim como procedimentos técnicos necessários para a conservação e o restauro de monumentos”¹ começaram a acontecer, e essa ideia foi se espalhando para o resto do mundo.
 Desse modo, Patrimônio era entendido como grandes monumentos artísticos do passado, assim eram classificados por critérios estéticos ou históricos que tinham importância para revelar o desenvolvimento da arte e da história². Neste momento eram considerados apenas os bens imóveis e geralmente referentes a monumentos e construções utilizados pela elite da época. Mais tarde, já no início do século XIX, com a mudança na concepção de fontes históricas e na própria ideia de novos personagens na história esse conceito mudou, e hoje se fala em Patrimônio Cultural. O que passa a ser compreendido como toda produção cultural de um povo que explique a sua história, que mostre a formação da sua identidade, ou seja, sua singularidade, aquilo que os diferencia dos demais, que contribui para a preservação de sua memória, são atualmente definidos como Patrimônio Cultural. Essa categoria se divide em Patrimônio formado por Bens Materiais e Imateriais. Sendo os primeiros subdivididos em bens imóveis como os núcleos urbanos, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; e móveis como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.”³ Já o segundo, os  Bens imateriais são designados pela UNESCO como "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.[i]
O Patrimônio é de todos, pois ele guarda as memórias de nossos antepassados, e por isso é direito dos cidadãos conhecê-lo. Cuidar de nossos bens tombados é uma atitude de ética e cidadania e é o que a Educação Patrimonial vem trabalhar. Este livro é uma contribuição a mais para o desenvolvimento deste projeto, para que o mesmo possa ser desenvolvido da melhor maneira possível rendendo frutos tanto para o presente quanto para o futuro. O Projeto de Educação Patrimonial, realizado nas escolas de nosso município através do Departamento Municipal de Cultura e Turismo, de acordo com a Deliberação Normativa nº 001/2009 do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais que dispõe sobre a execução de projetos de Educação Patrimonial; tem como objetivo educar nossas crianças e adolescentes a fim de que estes conhecendo nosso patrimônio se tornem protetores dos mesmos e ainda  adultos conscientes de sua própria história e identidade.
Mediante essas ideais destaco a importância desta obra, que contribuirá com muita eficácia para o conhecimento não só de nossos alunos como também de toda comunidade matiense sobre a história de Matias Barbosa e de seus Bens Tombados. A história de nosso município é tão rica e merece ser conhecida. Aprender sobre o passado é fundamental para entendermos o presente. E é com essa preocupação que o historiador Ricardo Sartine Fernandes de Oliveira escreveu o “Primeiro Guia de Bolso dos Bens Tombados de Matias Barbosa/MG”, o qual contribuirá com a divulgação das informações tão necessárias para o conhecimento de nossa história, e a preservação de nossa memória essencial para mantermos nossa identidade.
 Nossos alunos e toda a comunidade conhecendo melhor nossos bens tombados e um pouco da história de cada um deles, tenho certeza cuidará da sua preservação, já que só respeitamos e preservamos aquilo que conhecemos. Este livro também vem satisfazer a expectativa de muitos professores de nosso município que sentiam falta de uma fonte mais consistente de pesquisa para suas aulas de História. Falo isso porque também sou professora da rede municipal e venho há muito escutando essas reinvindicações.
Neste guia estão dispostos os bens materiais imóveis tombados do município de Matias Barbosa, os quais fazem parte de nosso cotidiano. Todos os dias percorremos as ruas de nossa cidade, passamos perto desses bens e muitas vezes não percebemos que eles também estiveram presentes na vida de outras pessoas que aqui viveram, que anteriormente foram protagonistas da história de nossa cidade.
Primeiramente o livro traz um breve histórico sobre a 1ª Sesmaria de Mathias Barboza da Silva, que séculos depois se tornaria a cidade de Matias Barbosa. Em seguida, inicia-se a descrição dos Bens Materiais tombados para a preservação da história e da memória de nossa gente. Os quais são dispostos nesta obra por ordem cronológica de tombamento. O primeiro é a Capela Fazenda de Nossa Senhora da Conceição do Registro do Caminho Novo, atual Capela de Nossa Senhora do Rosário, Patrimônio Nacional por se tratar de uma construção do século XVIII, e tombada pelo Instituto do Patrimônio Hsitórico e Artístico Nacional, importante não só para a história local, quanto para retratar parte do período colonial brasileiro.
Quem nunca criou fantasias a cerca dos túneis da Capela do Rosário? Essa construção tão admirada pelo nosso povo, a qual se tornou referência de Patrimônio em nossa cidade já que faz referência ao período da mineração colonial, período tão importante para entendermos a formação e o povoamento de nosso estado e de nossa terra.
Posteriormente vem o prédio da Prefeitura Municipal, com suas belas características da arte neoclássica. Em seguida os Túmulos do Cônego Joaquim Inácio Valadares Monteiro, do Dr. Eloy de Andrade e do Sr. José Cardoso Saraiva, acompanhados pelo Cemitério Municipal de Matias Barbosa, Capela Mortuária e Portal Principal, mostrando que a arte tumular também pode se tornar um bem material devido guardar o repouso daqueles que foram personagens tão importantes para a história de nosso município.
Logo após está a Ponte da Liberdade conhecida como “Ponte do Arco”, construção centenária que nos faz relembrar bons tempos, aqueles marcados pelas ferrovias! O Busto de Getúlio Vargas, como homenagem dos matienses getulistas para este estadista; a Sede do Prédio da Cemig, que representava a modernidade da luz elétrica; o Prédio do Grupo Escolar, atual Escola Estadual Cônego Joaquim Monteiro, que foi um marco para a educação da cidade; Prédio da Cadeia Pública (Quartel e Cadeia) que há tanto estava esquecido aos nossos olhos; assim como o belo Painel de Azulejo “Evolução dos Transportes”, que tanto tempo se escondeu naquele cantinho da Praça Peter Birkeland. E ainda monumentos comemorativos, como o Relógio de Sol em pedra Sabão e o Chafariz em Pedra Sabão (ambas as réplicas do século XVIII).
Saber qual era a finalidade de cada bem no passado também é importante, espaços e monumentos feitos para orar, ligar um lugar ao outo, administrar, homenagear pessoas importantes, educar, modernizar, festejar entre outros. Tudo isso poderá ser discutido e aproveitado a partir deste guia para tornar as aulas de História Local mais próxima e significativa para o aluno.
Portanto, a ser convidada a escrever este prefácio fiquei muito feliz em dar uma humilde colaboração para esta obra. Pois como educadora que sou, acredito que somente a educação tem o poder de transformar. Através do conhecimento nos tornamos mais livres, para pensar, criticar com argumentos coerentes, analisar situações, saber ler nas “entrelinhas” e buscarmos a nossa verdade. Contudo, nossas crianças precisam desenvolver essas habilidades e a educação e a cultura é o único caminho para torná-las agentes de transformação, adultos conscientes de sua história, orgulhosos de seu passado, caracterizados por sua própria identidade e com memória viva para se construir um futuro melhor. Em suma, este livro tem como objetivo principal transformar todos nós matienses em guardiões de nossos bens tombados, tão ricos em história, tão importantes para nos reconhecermos como “filhos” de Matias Barbosa.
Bons estudos!
Boa leitura!

Carla Aparecida da Silva Fernandes de Oliveira
Graduada em História (UFJF)
Especialista em Ciências Humanas: Brasil Estado e Sociedade (UFJF), Professora de História na Educação Básica e Professora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Membro e Secretária do Conselho Municipal de Cultura de Matias Barbosa.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

1ª SESMARIA DE MATHIAS BARBOZA DA SILVA, HOJE MUNICÍPIO DE MATIAS BARBOSA





Breve Histórico

O município de Matias Barbosa originou-se de “uma sesmaria de uma légua de testada por três de sertão, às margens do rio Paraibuna, entre as roças de Simão Pereira e Antônio de Araújo, concedida a Mathias Barboza da Silva em 1709”. Esta sesmaria é considerada uma das mais antigas da Zona da Mata Mineira e sua criação coincide com o mesmo ano da abertura oficial do Caminho Novo, considerado mais curto, porém menos frequentado por ser muito escabroso e deserto, mas aos poucos o fluxo das tropas foi aumentando. O Registro de Matias Barbosa foi o centro de convergência de toda a atividade do Caminho Novo, era uma barreira onde se pagavam direitos sobre o ouro e os diamantes vindos da região mineradora, consta que enormes quantidades desses preciosos minerais passavam por esse lugar.
Com a morte de Mathias Barboza da Silva, sua sesmaria foi vendida ao Coronel Manuel do Valle Amado, em meados do século XVIII, na Fazenda de Nossa Senhora da Conceição do Registro do Caminho Novo. Neste local foi erigido o Registro de Matias Barbosa que se tornou o mais complexo e exigente da região, uma verdadeira alfândega, que controlava a passagem dos tropeiros, forasteiros e outras pessoas, além da circulação de mercadorias e o pagamento dos diversos impostos à Coroa Portuguesa. O Coronel Manuel do Valle Amado foi também comandante da Patrulha do Caminho Novo da Estrada Real e chefe do Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes.
A Capela de Nossa Senhora do Registro do Caminho Novo (Patrimônio Histórico Nacional), atualmente Capela do Rosário, tornou-se referência para os viajantes, em seu interior existe um alçapão que dá acesso a um túnel misterioso do qual não se sabe ao certo sua origem. Um pouco fora da rota dos marcos, mas na mesma região do Vale do rio Paraibuna, é possível encontrar a trilha que vinha da Fazenda do Marmelo, em Juiz de Fora, que contornava o Morro do Marmelo e o Morro dos Arrependidos (outro mistério envolvido no Caminho Novo), duas referências naturais.
Com a independência do Brasil, em 1822, o Registro passou a funcionar como Alfândega e, em seu entorno, desenvolveu-se um pequeno arraial. Porém, a ocupação da antiga sesmaria de Mathias Barboza ocorreu a partir de meados do século XIX em diante, com o advento da lavoura cafeeira. Nesta época, chegaram os imigrantes, em grande parte italianos que se somaram aos negros, formando, assim, uma comunidade singular de grande manifestação cultural.
O povoado viu de perto a construção da primeira estrada macadamizada da América do Sul, a União & Indústria, sendo que em Matias Barbosa havia uma Estação onde se trocavam os animais das diligências e carroças. Tais diligências, conhecidas como MAZEPA, conduziam quatorze passageiros, acrescidos do cocheiro e do condutor, e eram puxadas por quatro mulas. De Matias Barbosa, a caminho de Juiz de Fora, atravessava-se uma pequena ponte de madeira sobre o rio Paraibuna, chamada de Zamba.
O povoado cresceu e já era vila quando, no ano de 1875, chegaram os primeiros trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II. Por conseguinte, o núcleo urbano se alterou, passando a se fixar próximo à Estação, local onde, pouco depois, no sentido Juiz de Fora, encontra-se a “Ponte do Arco”, representante de uma engenharia arrojada de outros tempos, com a forma de um arco. Sua edificação em pedra nos permite contemplar a beleza de tal construção em prol do progresso, enquanto na parte inferior passa uma estrada e um riacho, na parte de cima os trilhos cortam a paisagem.
Os atrativos de Matias Barbosa começam já no marco zero deste trecho. Na estrada de terra Juiz de Fora – Caeté – Matias, seguindo pelo acesso à esquerda, encontra-se a Fazenda Belmonte, uma antiga fazenda de café de 1877, que pertenceu ao Conde de Cedofeita. Na área urbana, encontra-se a antiga sede da Fazenda do Monte Alegre, construída entre 1838 e 1840. Atualmente, no entanto, existe apenas parte do que foi a sede da fazenda.
Logo após a Proclamação da República, em 1889, foi construído o cemitério municipal (Tombamento Municipal como Conjunto paisagístico), que data de 1892, onde se pode observar a arte tumular nas lápides centenárias, como o túmulo do Cônego Joaquim Monteiro que, ressaltando-se, foi responsável por mudanças substancias na vila de Mathias Barbosa.
O núcleo histórico urbano é composto pelos prédios da antiga Estação da Estrada União & Indústria, que foi transformada em Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Dom Pedro II e mais tarde Estrada de Ferro Central do Brasil, atual Estação transformou-se em Centro Cultural, a instalação da Biblioteca Municipal, do Departamento de Cultura e Turismo, do Cine-Estação que promove oficinas de cinema e da Corporação Musical Matias Barbosa, onde são ministradas aulas de música.
Ao lado do prédio da Estação pode-se visitar a casa de Artesanato Caminho Novo, defronte se pode apreciar a belíssima fachada quase centenária do Grupo Escolar, hoje denominada Escola Estadual Cônego Joaquim Monteiro, ao lado, o prédio do antigo Laboratório de Biologia Veterinária, primeiro da América do Sul, mas que se encontra atualmente desativado, além do prédio da secção gráfica que por muito tempo produziu o maior jornal de circulação da cidade, o Correio de Mathias.
Na Rua Eloy de Andrade pode-se observar outra construção, a antiga sede da Companhia Mineira de Eletricidade, pertencente à CEMIG, cujos serviços foram primordiais para o desenvolvimento da Vila de Matias Barbosa, pois prestava serviços de transmissão de energia elétrica e telefonia.
Caminhando pelo centro da cidade encontra-se a arquitetura do Paço Municipal, erigido pela construtora Pantaleone Arcuri, que apresenta formas ecléticas e que, em 2009, completa 80 anos, tendo sido já tombado como Patrimônio Municipal. Logo após avista-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construção centenária, com seu teto pintado por Ângelo Biggi, além dos vitrais doados por Bernardo Mascarenhas e sua esposa.
Na Praça Peter Birkeland encontra-se o belíssimo Painel de Azulejos, cujo tema é a evolução dos transportes em Matias Barbosa, mas que, ao mesmo tempo, se mistura com a história da evolução dos transportes no Brasil. A cidade foi protagonista das maiores transformações nos meios de transportes terrestres do Brasil. No painel aparece a representação da Carruagem Mazzepa na Estrada União & Indústria, e a “Maria Fumaça” atravessando o pontilhão de ferro da Estrada de Ferro D. Pedro II, em Matias Barbosa. No painel está representada ainda a passagem por Matias Barbosa de dois sportmen, homens aventureiros que utilizavam automóveis do início do século XX e viajavam pelas trilhas de antigas estradas, um caso real de duas pessoas que saíram de Petrópolis em direção a Juiz de Fora. Por fim, temos no painel a representação dos transportes rodoviários de passageiros na estrada BR-3.
Além disso, no centro da cidade, está aquele que talvez seja o atrativo mais importante de Matias Barbosa, a Capela do Rosário, a antiga Capela de Nossa Senhora da Conceição do Caminho Novo. Construída no século XVIII, a capela está retratada na tela “A Jornada dos Mártires”, de Antônio Parreiras, no Museu Mariano Procópio de Juiz de Fora, que ilustra a passagem dos inconfidentes pela região, rumo ao Rio de Janeiro, onde seriam julgados e condenados.
Em direção a Cotegipe, pela Estrada União & Indústria, no término do trecho do Caminho Novo em Matias Barbosa, encontra-se a Fazenda Soledade, uma das primeiras fazendas a plantar café no Brasil e que pertenceu ao Barão de Bertioga.
Ao longo de 2009 se comemorou os 300 anos do termo de doação da sesmaria ao fidalgo português Mathias Barboza da Silva, ocorrendo a instalação de dois marcos comemorativos, o primeiro, no adro da Capela do Rosário, de uma magnífica réplica de relógio de sol em pedra sabão muito utilizado pelos tropeiros no século XVIII, e outro, de uma réplica de um chafariz em pedra sabão inspirado nas obras do período barroco do grande mestre Aleijadinho.
Destarte, essa pequena cidade do interior de Minas Gerais mostra seus encantos, traduzidos na beleza da paisagem montanhosa associada ao vale do Rio Paraibuna, na originalidade de um povo singular, nas suas manifestações culturais e, principalmente, nas pessoas que nela vivem, tornando esta cidade hospitaleira e apaixonante a todos aqueles que por ela passam, deixando-lhes lembranças que ficarão registradas para sempre na memória.